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O fRevente sol de um antigo Recife a sorrir

Quisera eu permanecer sempre com esse olhar...
Há alguns ângulos de abertura do ponteiro sobre o relógio,
Assim eu venho,
Com o olhar em essência para a essência da vida;
Beleza em tudo eu vejo,
E conserto percebo no imperfeito.

E um amor de mim transborda,
De um amor que não sei bem de onde vem...

Talvez da música que desde cedo ressoa em meus ouvidos,
Do riso descontraído de minha família pelos corredores da casa,
E que por vezes tanta falta faz;
Do frevoar dos blocos que traz consigo as lembranças da alegria de um povo anestesiado...
Dos passos, do colorido, do quanto se pode ser feliz na desordem perfeita de um mundo imperfeito.
Ah... Como é bom o carnaval!

A leveza de um clima encantando
A repousar o peso dos homens nos mágicos gigantes bonecos de Olinda...
A doença esquecida,
O sofrimento camuflado,
A lágrima seca pelo fRevente sol de um antigo Recife a sorrir.
Ah... Como é bom o carnaval!

E estando assim, de olhos, ouvidos e coração aberto,
Se enxerga melhor a vida, as pessoas, a si mesmo...
Tem-se vontade de ajudar mais, de sentir melhor, de tocar e beijar com ternura aqueles que te cercam.
Porque, mesmo na ilusória embriaguez de um povo esquecido pela razão,
Não é só no natal o tempo de reflexão:
É no carnaval quando o coração desce pro pé, responde na face com um sorriso e todos viram irmãos!

(Fev. 2012)



Escrito por Alana às 22h44
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Nunca me interessou saber

"E só me restam as palavras...
Quando o avesso de mim se faz direito,

Quando o avesso urge em meu silencio,

E em meu silêncio me faz silenciar,

Só me restam as palavras.


Quando as pessoas, em minha ansiedade, não mais me servem,

E os ponteiros do relógio pulsam o tempo cronológico que em mim em não mais acho;

Quando a ânsia nauseante de fonemas, frases e imagens jorra de mim

E se mostra a salvação de minha inquietude,

Só me restam as palavras.


Porque eu sempre começo a escrever da mesma forma que termino:

Sem saber.

Poesia, crônica, conto, reflexão,

Nunca soube o que escrevo,

Nunca me interessou saber."

(Setembro de 2011)



Escrito por Alana às 22h11
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MEMÓRIAS DE UMA BONECA DE PANO

Boneca de pano em seus inúmeros retalhos, unida pela poesia da vida em toda sua metalinguagem, é o que sou. Uma poesia costurada não por palavras, mas pelo fio da vida que integra e esculpe cada retalho história que me conta. O fio não finda em um ponto cego, nem se fecha em minhas costuras, ele finda em um infinito futuro que não vejo, não tangencio e ainda não sou. Tento, por vezes, puxá-lo e antecipar o meu destino, mas boneca de pano que sou, sufoco-me em minhas linhas sempre que o faço. Angustiada, inquieta, passo então a esperar ansiosamente a vinda da costureira: a dona Circunstância. ... Nome mais sem jeito o dela! A princípio estranhei, claro, e duvidei dos seus dotes, até o dia quando a conheci.

Lembro-me como se fosse hoje... Eu ainda era um emaranhado de panos diariamente costurado pela minha mãe, a Infância. Dia após dia, ela me vinha com um retalho novo, mais resistente e detalhado que o primeiro, remendava alguns velhos, limpava outros e sempre, ao término, me dizia algo que eu nunca vou esquecer: “este é o seu novo retalho conhecimento e este a sua nova sabedoria. Nunca te esqueces, filha minha, de que nada adianta tê-los se não sabes fazer o entrelaçado preciso entre eles! O que importa na vida não são os retalhos, mas a moldura que dás a cada um deles.”.  E assim eu cresci... Entre panos, retalhos e memórias, me fiz mulher. Naquele dia, com a essência transbordando em seus olhos, minha mãe me abraçou e disse: eis aqui o teu ponto final... E ele, eu não darei. Deixar-te-ei em aberto para que escolhas o teu próprio caminho. Daqui em diante, te entrego a dona Circunstância, a costureira que irá te moldar sempre que necessário.

Mulher misteriosa, de olhar penetrante e envolvente, com traços de experiência na face, Circunstância nunca foi uma senhora de muitas palavras. Ela sempre veio rasteira, pelas esquinas e, subitamente, me mudava ao ponto de, algumas vezes, eu demorar a me reencontrar. Certo dia, sempre sucinta, ela me entregou uma agulha, uma tesoura, alguns simplórios e pequenos pedaços de pano e sussurrou: estas são as ferramentas do teu livre arbítrio. Já tens retalhos suficientes para saber até onde eu e minhas irmãs (sim, ela tem irmãs! E são muitas...) podem influenciar em tua vida. Mas cuidado quando usá-las... E se foi. Desde então eu nunca mais fui a mesma...

Eu não mais era tão somente reflexo das circunstâncias, eu tinha responsabilidade real sobre as minhas costuras! Eu era capaz não apenas de me ferir, mas também aqueles que me cercavam. E, então, surgiram os retalhos da estima, da insegurança, do medo... E eles me parecem tão difíceis de serem moldados, encaixados, que propositalmente (ou não) eu me sufoco no fio da vida, na ânsia da dona Circunstância surgir. Mas ela nem sempre surge... Ou nem sempre eu sei recebê-la...

E assim vive Poesia. De retalho em retalho, com costuras e remendos, aprendendo a ser boneca gente grande de pano e algodão. Sei que um dia a senhora dona do seu destino, a dona Circunstância, irá surgir como uma vertigem e seccionar a linha da vida sua. Mas até lá, ela nunca se esquecerá das palavras de sua mãe...

 

 

(Novembro, 2011)

 

 



Escrito por Alana às 01h47
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Desisto da não desistência

"Desisto!
Como uma rocha que sede ao bater das ondas...
Eu desisto.
Como uma pétala de rosa carregada pelo vento,
Ou o orvalho que se curva aos caminhos da flor...
Eu desisto.

Desisto e me rendo aos encantos da vida,
A magia do incerto,
Ao fascínio do ir e vir, do ser e desCer do passar do tempo.
Rendo-me a parábola dos acontecimentos,
Que me chocam e inquietam
Para depois estarrecer.
Como uma tapa na cara que diz:
Na vida, tudo tem seu tempo.

E assim desisto...
Do controle, do impulso imaturo,
Da taquicardia ansiosa que se instala em meu ser;
Dos dias que teimo em não ceder,
Eu desisto.

Desisto da não desistência.
Cedo-me a infância,
E a toda criança que se estarrece ao ver
Uma largata em seu casulo borboleta renascer.

Da “adulteza”, pois, eu desisto.
Não da idade alargada,
Mas do ser-adulto-de-hoje
Na sua falta de fascínio,
Na sua busca insana pelo controle,
De si, dos outros e da vida.

Rendo-me e me entrego aos seus encantos,
Vida!
Ao vento que carrega e esculpe as areias do deserto,
A pupila dilatada diante da presa e do predador,
Ao pensamento que me faz agir certo,
E a todo o resto que não o faz.

Porque eu sou vida e dela sou;
Dela vim, dela faço parte e dela vou.
Nem acima, nem abaixo,
Parte: assim eu sou."

Junho de 2011



Escrito por Alana às 15h00
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C a L e I d O s C ó P i O

 

Fragmentos coloridos,
Irregulares pedaços de vidro,
Que invadidos por luz externa,
Fazem dos seus reflexos nos espelhos,
Imagens tão belas!

Assim é a vida: um caleidoscópio.
Ações, coloridas ou não, que se somam na irregularidade de nossas incertezas;
Fragmentos de uma perspectiva ainda incompleta,
Mas que ao serem guiados pela luz precisa,
Fazem do encontro de nossas ações e pensamentos
Realidades vividas belas.

Os fragmentos se encontram na medida e no tempo certo.
Vários outros são anulados,
Na esperança de poesia também um dia se fazer.

E eles se farão...
E se “desfarão” para Novamente se fazer,
Com outros pedaços e em outros momentos:
Todos perfeição.

Assim Deveria ser a vida: um coleidoscópio.
Ações a se somarem no momento e na medida exata,
Perspectivas a se encontrarem na sintonia e no tempo preciso.
E todo resto, que é certo em essência, mas não em momento,
A esperar.
...

Não porque eles queiram ou não tentem,
Mas porque eles sabem que tão somente com o movimento e a luz divina,
A poesia da vida florescerá.

No caleidoscópio, o homem é Deus e poeta,
A guiar e observar.
Na vida, o homem é fragmento,
Na espera do contexto exato
Para poesia se tornar.
...
Na vida, o homem é poeta,
No único limiar que há entre o caleidoscópio e ela:
A consciência.

Poetas e poesias,
Somos um caleidoscópio em construção,
Capaz de interferir e jogar garras em um outro caledoscópio:
A vida! Que é perfeição.

Mas para bons poetas sermos,
Precisamos caleidoscópio-objeto aprender a ser,
Como pequenos fragmentos que esperam tão somente a circunstância precisa,
Para, enfim, florescer.

E então, quando esse momento chegar,
Tornemo-nos Poetas,
Que observa- lapida- aceita- adapta-se,
E transforma a vida na sua eterna poesia.

(Mas o homem, muitas vezes, além de poeta, quer ser Deus... De si e dos outros.)

(Maio de 2011)



Escrito por Alana às 15h13
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~ Pássaros invisíveis ~

Vai chuva, cai! "
Limpa as ruas, "
Rasga as almas, "
Renova as águas "
E revela a vida, "
Essa vida que Deus nos deu! "


Vai chuva, cai! "
Cai no meu mundo-mundo-meu. "
Me canta aos ouvidos, "
No seu balbuciar indescritível, "
E faz do teu som, o som meu. "

Vai chuva, cai! "
Inebriaga o meu sangue, "
Invade-me as artérias, "
Se faz refém delas, "
E pulsa o seu eu, no meu. "

Vai coração, pulsa! ~
Pelo balanço da água-chuva, ~
Tilinteia o teu cantar, ~
E me mostra os vários sons, ~
Os belos sons do meu pulsar! ~

Vai coração, pulsa! ~
Acelera-me o sangue das artérias, ~
Faz o meu som chegar a elas; e os teus... ~
E torna-os reféns, ~
Escraviza! ~

Vai coração, pulsa! ~
Pelo balanço da água-chuva, ~
Leva os meus sons aos teus pulmões! ~
... Dispnéicos os pulmões, ~
Por eles os faz ofegante, ~
E por mim os faz ar... ~

Vai vento, leva! ~"
Quebra as chuvas, ~"
Invade as almas, ~"
Resgata as auras do teu cantar ~"
Delas te faz corda "~
De um instrumento vida, "~
E logo retorna ao teu ninho, "~
Passarinho invisível do meu despertar. "~



 

(Março de 2011)



Escrito por Alana às 13h06
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Na quase utopia, uma válida reflexão

 

As pessoas precisam de valores mais sólidos, de uma integração maior entre razão e emoção. Mas eu não venho aqui falar de moralismo e lições de caráter, minha pretensão não é tanta.  Venho, sim, falar da constante necessidade do homem pelo novo e do contraditório medo de um novo desconhecido. E nesse dilema, pairamos entre os extremos de uma inquietude constante e de uma inquieta inércia.

A verdade é que o homem precisa Sempre se sentir vivo. Novos cheiros, sabores, experiências, convivências, Novos! Sentidos... Novos! Amigos... Novos! Amores... Assim, a vida me parece tão intensa, plena, tão... Vida! E, então, nós descobrimos novos bons, boas novidades e passamos a ser todo pensamento, gestos, ouvidos, ações, sentidos ao que nos faz novamente vibrar.

Mas ninguém pode viver sempre nos extremos, tais quais adolescentes sedentos de emoção e intensidade; a vida nos pulsa o equilíbrio. Pobre daqueles, pobre de nós que não sabemos lidar com a quietude dos dias: com o passar do tempo, a novidade, aquela que nos fazia vibrar, c o m e ç a  a  t o r na r – s e   c o m u m. “Ah, como é sem graça o comum, o habitual, como é sem vida a vida!” Os bares se enchem de pessoas urgentes não de bebida, mas de afeto, sentido, preenchimento de um vazio que teima em não se calar. E as boates me fazem pulsar novamente o coração e gritam dentro de mim a vida que em mim eu não mais acho. Ahhh!! Como eu queria gritar e colocar para fora toda essa inquietude que me toma o peito...! Por que, se eu não mais quero essa não-mais-novidade, simplesmente não a modifico, inovo? Por que quero tanto e tanto tenho medo do novo?

E, então, quando não mais aquentar a inquietante mesmice, o medo do novo se fará vencido, e o desequilíbrio sairá em uma busca insana por uma novidade que o faça novamente fingir o equilíbrio ter alcançado. Mas a vida, relutante, mirará a verdadeira tranqüilidade, e o ciclo, incessantemente se repete. Talvez o homem precise de valores mais sólidos.

Eu não venho aqui fazer apologia a mesmice ou negar a importância do novo. Logo eu, uma aquariana convicta, que vive a tangenciar a hiperatividade! Seria um contracenso. Venho, pois, questionar o momento quando a impulsão pelo sentir nos faz escravos e entorpece o valor do que é verdadeiramente válido. Nós valorizamos mais a paixão ao amor, temos maior pseudo-consideração ao que mais nos empolga do que àquele ou aquilo que mais merece nossa consideração; vivemos buscando satisfações momentâneas e falsas, somos hipócritas ao ponto de camuflarmos um sentimento pelo medo de mudar. Obviamente, somos seres sociáveis e precisamos de certa falsidade, inclusive com nós mesmos, para bem convivermos. Mas, principalmente para isso, existem limites.

Penso que necessitamos de mais empatia, do dicionário “forma de identificação intelectual ou afetiva de um sujeito com uma pessoa, uma idéia ou uma coisa”, em outras palavras “se colocar no lugar do outro ou de algo”. Só assim, passaremos a amar pessoas e não conveniências, aprenderemos a ter consideração de fato, a amar idéias, verdades, e não circunstâncias favoráveis; aprenderemos a preencher vazios não através de ilusões, de vidas externas que momentaneamente fingirmos ser a nossa, mas pelo encontro de nós por nós mesmos, da introspecção de uma vida que a nós, e só a nós pertence. É quando não mais ficaremos perdidos em uma busca insana e inútil, e aprenderemos a valorizar e a gostar do comum, do constante: nele encontramos a estável base para um contínuo inovar de nossas vidas.

(Dezembro de 2010)


ÓTIMO 2011!!!!!!!!!!!! Jóia



Escrito por Alana às 01h04
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O Tempo e a Nunca tão Inútil arte de Filosofar

"Sabe esses pensamentos que, de repente, tomam a sua mente? Há alguns instantes, por mais impalpável que pareça, comecei a me questionar sobre o tempo. A princípio, senti certo medo por estar mergulhado em um pensamento tão abstrato e filosofal... Medo por perceber que eu não conseguia alcançar definições e limitações de presente, passado e futuro. Foi quando comecei a perceber o quanto ilógico é delimitar o tempo... Como mensurar o presente? Será que ao tentar mensurá-lo ele já não se desfez e tornou-se passado? Será que na verdade o que existe não é apenas passado e futuro, e um instante, mutável instante, a separá-los?

Prefiro acreditar que essa é uma invenção humana, necessária de fato, mas invenção. Prefiro acreditar que exista tão somente a vida: a união entre a minha consciência, o contexto e minhas contínuas ações. A vida é um gerúndio, essa é a verdade! E o tempo é só uma forma prática que uso para organizar as minhas ações e pensamentos...

O tempo sou eu! Sem a minha consciência e ação, o presente não se faria; sem a minha memória, o passado não existiria e sem minhas expectativas, o futuro não se projetaria em minha mente. O passado, pois, não passa de lembranças de vários momentos presentes, tempo este medido pela importância das ações nele realizadas e das emoções vividas; o futuro? Um conjunto de presentes que pretendo realizar; o presente? A minha consciência. Sem ela, a lembrança não se faria passado e o futuro não se faria expectativa, porque a ciência deles em mim não existiria.

E um paciente em coma? E quando a sanidade se esvai? Onde ficam passado e futuro? Os dias passados pela sua inconsciência em um hospital seriam passado?... Para os seus familiares sim, para ele não. Engraçado que as pessoas têm costume de dizer: ele está preso ao seu passado! E desde quando passado prende alguém? Ele está preso ao seu presente, a si mesmo. Ele está preso a ações, momentos vividos que ainda repercutem em suas emoções. Tem-se mania de medir o passado, a vida, por ações! Mas a vida é muito mais emoção e pensamento do que ação, porque são eles que me fazem agir e ditam as normas dos meus atos.

Quando penso que, enfim, tinha desmembrado o tempo, vejo que ele também se faz concreto. As construções antigas não o negam, nem o nega a literatura deixada e as fotos preto-e-branco do álbum de minha avó. Assim ele se eterniza e existe além de nossas consciências. Gerações se vão, mentes morrem para renascer e ali elas continuam, a provar que “o antes” é inquestionável. E o tempo, embora em pensamento seja sempre Presente, pelas obras humanas se concretiza Passado conjunto.

Nós fragmentamos o tempo, as pessoas, a vida e a nós mesmos. Isso é natural... O perigo é quando começamos a nos perder dentro dessas fragmentações, quando começamos a ver as pessoas sem um contexto, o presente sem um passado, o futuro sem um presente e a nós mesmos como emoção e razão em separado. O perigo é quando começamos a nos misturar, a comparar partes de nós com partes de outros, sem ver o contexto de ambos. O perigo é quando, por medo ou vaidade, começamos a acreditar tanto no passado, a fragmentar tanto o tempo, que passamos a nos perder nele. Ou, ainda, quando, na urgência de nossas vidas, passamos a viver prisioneiros de um tempo cronológico e a nos esquecer de nós.

Termino o texto sem saber porquê o comecei, talvez pela nunca tão inútil e sempre imprescindível arte de filosofar. Ou pelo simples prazer de parafrasear Sócrates e dizer: tempeio (do verbo tempear), logo existo! A questão é que existe uma grande diferença entre acreditar quando me é dito que o tempo é uma invenção humana, e perceber a dimensão disso."



Escrito por Alana às 17h04
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Que coincidência!

"
João sai de casa peregrino, anda sem rumo, sem alento, como alguém a usar os passos incertos na tentativa de se encontrar com o próprio destino... Esbarra em Marcos, o agitado e contagiante amigo. Um estava para a vida, o outro caminhava a trabalho, e ao fim da troca de olhares, uma exclamação: que coincidência!


Mas do que é feita a vida se não de coincidências?
Dentre vários os nomes, tens o teu;
Dentre os vários países, nascentes aí ou aqui;
E se és daqui, somos conterrâneos: que coincidência!
E de quantas mães poderias nascer?
E quantas têm?... E pais, e irmãos?

Nascer na tua família já não é uma coincidência?
Sales eu sou, Raposo poderia ser... Bezerra, Jordão, Patriota, Siqueira,
E quantos mais outros sobrenomes queiras me dizer.
Os Silvas se lamentam, dentre todos os Silvas do Brasil,
Santos eu resolvi ser!
E a probabilidade se esvai
Quanto um Deprá no Brasil resolve nascer!

Mas do que é feita a vida se não de coincidências?
Encontros e reencontros que se ligam e se entrelaçam
O hoje no passado era desejo, no ontem angustia,
E no hoje, realização.
E assim é feita a vida, de encontros e reencontros,
Conquistas e frustrações a nos inundar de Ses,
Ses Questionamentos que só o deixam de ser

Quando ansiedade e tempo tornam-se um só.

É quando percebemos que a coincidência
É uma soma de coincidências unidas no tempo,
Que ela é o momento exato
Quando a vida escolhe se fazer vida em nossas mãos.
E a vida, que naturalmente é magia,
No seu devido tempo,
Revela-se destino, e por nos parecer magia tão intensa
Passamos a chamá-la de coincidência.

(1 de setembro de 2010)
"

MAIS DE 2000 VISITAS, VALEU! Bobo



Escrito por Alana às 15h21
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Entre mim e a medicina: a crise

Este texto não é de minha autoria exclusiva, trata-se, na verdade, de um momento de angústia que resultou em uma brincadeira produtiva. Ele foi resultado de uma conversa inspirada no msn entre mim e um amigo (Agapito Neto). Após algumas adaptações e poucas mudanças, eis o resultado:



   (eu) - Medicina, precisamos ter uma conversa séria! Acho melhor nós nos separarmos por algum tempo... Não é nada contra você, é comigo, entende? Sou eu quem estou em crise... Por favor, não me entenda mal.

(medicina) – Já tens o tempo do almoço e do banho... Darei-te, então, mais uma hora de reflexão e descanso, está bom para você?

(eu) - Acho que você não me entendeu bem. A questão...

(medicina) - Foi você que não me entendeu bem! Como queres ser um bom médico, se pedes tempo a tua profissão? Ainda tens tanto o que estudar...!

       (eu) - Não, medicina, mas é que as vezes a gente cansa, o corpo pede um tempo... Você, como uma sábia conhecedora da saúde humana, deveria saber disso! Afinal, que exemplo de médico queres que eu me forme? Aquele que não se importa com as próprias limitações físicas, não irá ter paciência e respeito aos limites dos seus pacientes!

   (medicina) - Perdeste o direito de ser um homem comum quando me pediste em casamento no vestibular e se casaste comigo na Igreja da Matrícula. E meu lema nunca foi "satisfação garantida ou o seu dinheiro de volta".

(eu) - Não te faças de perversa, porque sei que não és... E não me trates como uma máquina porque sabes que não sou.

(medicina) - Sim, sei... E só quero o bem daqueles que me escolhem, mas és tu, pobre homem, que não conheces as tuas próprias limitações e potencialidades.

(eu) - Talvez eu não saiba mesmo... Mas no casamento é dito: prometes amá-lo e Respeitá-lo agora e para todo o sempre? E, diante do altar recepção, respondestes que sim!

(medicina) - Eu nunca fiz juramento algum! Meu pai Esculápio explicou como seria a vida ao meu lado e, ainda assim, aceitastes o nosso contrato. (http://www.ordemdosmedicos.cv/index.php?option=com_docman&task=doc_view&gid=2)

(eu) - Onde tem naquele contrato que ias me maltratar, me diga, bendita medicina!!

(medicina) - O que entendes por: “Terás de renunciar à tua vida privada. Enquanto que todos os cidadãos quando terminam o seu dia de trabalho não são importunados, a tua porta ficará aberta a todos, a toda a hora do dia e da noite virão perturbar o teu descanso, teus prazeres, ou a tua meditação. Já não terás horas para dedicar à tua família, à amizade ou ao estudo. Já não pertencerás a ti mesmo”?... Você sabia que seria assim. Disseste sim as minhas condições! Tudo tem seu preço, meu caro...

(eu) - Então me digas, medicina, por que te sigo? O que me dais em troca?

   (medicina) - Isso meu caro, és tu quem tens que responder... Mas, como bem sei quem és, antecipo-te: és indiferente à fortuna, aos prazeres, à ingratidão; tens uma alma bastante estóica para se satisfazer com o dever cumprido e sem ilusões; te julgas pago com a felicidade de uma mãe, com lábios que sorriem porque já não sofrem, como a paz de um moribundo a quem conseguiste ocultar a maldita da morte.

(eu) - Oh, dama imortal, tenho medo de assim não ser... É bem verdade que o bem quero aos meus semelhantes, mas muito ainda me deixo levar pelos prazeres mundanos. E anseios outros tenho além de me entregar a ti...

   (medicina) - Ofereço-te, meu jovem, conhecer a mais bela das obras divina, o Homem. E não, não te peço exclusividade: quero, sim, o teu melhor! Exijo-te dedicação plena, amor e obstinação.

(eu) - Não sei se estou pronto... Muito te quero seguir, mas não sei se tenho a força dos obstinados e o amor dos guerreiros...

(medicina) - És filho do deus Apolo, o médico, e discípulo do meu pai, Hipócrates. Não há como negar, nascestes para ser meu! A inquietude faz parte dos que buscam a verdade em suas reflexões e em seus atos e isso é uma dádiva que possuis.  Por isso, peço-te: deixe-nos mostrar o teu caminho.

(eu) - E qual é o meu caminho?

(medicina) - Primeiro, te proponho: façamos as pazes, dedique-se a mim, e em troca te darei a satisfação que anseias.

(eu) - ...Confiarei em ti, então. E grato ficarei em te servir Oh, dama das damas! Juntos, o bem será propagado e a felicidade mutua alcançada... Afinal, quanto vale um sorriso aliviado de uma mãe em sofrimento; quando vale o retorno do brilho do olhar de um doente?...

   (medicina) – Mas tenhamos paciência, pois ainda temos um longo caminho juntos... Somos apenas doces namorados que se conheceram na ACADEMIA. Gradualmente, você se sentirá cada vez mais INTERNO, logo depois irá morar na minha RESIDÊNCIA, ate que por merecimento te darei o meu sobrenome: Doutor.

(eu) - Farei o possível para que exista uma reciprocidade nessa relação: aos poucos, passarás a viver em meu coração, a tomar, cada vez mais, o meu pensamento e tempo, e por fim, a relação será consumada. Estamos prontos?   

(medicina) - Desde que te acolhi tive a certeza de que conseguiríamos viver nossa história plenamente, mas vocês, Homens, sempre se deixam seduzir pela minha irmã inimiga, a Insegurança. Por isso, para nos darmos bem, nunca seja todo ouvidos a minha inimiga, a Insegurança, nem se deixe seduzir totalmente pela minha melhor amiga, a Confiança. Encontre o equilíbrio preciso entre o ser e o querer ser, e torne-se um eterno aprendiz.

(eu) - Eis que eu, um mero mortal, fui vítima da tua maior inimiga... Mas confio em ti, oh grande deusa! Hei de adquirir a medida precisa para te exercer da forma como mereces.

   (medicina) - Pondere essas duas conhecidas, una-se ao Esforço e seremos plenos.

(eu) - Que assim seja.

 

FIM



Escrito por Alana às 13h27
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ENERGIA VITAL


            "É engraçado como a vida passa sem que nós nunca tenhamos observado o comportamento de um pássaro, a forma como ele pousa, a forma como plana delicadamente no ar; É estranha a maneira como vivemos em um todo repartido, segmentado, como se só nós existíssemos. Você já olhou nos olhos de um cachorro e observou o quanto eles são penetrantes, serenos e verdadeiros?... Eles mostram a alma pelo olhar! Seria tão bom se nós pudéssemos aprender com eles e nunca temermos quando questionados por um olhar profundo e duradouro.

            Quanto nós temos o que disfarçar... Quantas inquietações nos fazem colocar mil camadas diante de um olhar. Olhar...  Olhar o mundo como se fossemos apenas mais um naquela imensidão de formas, cheiros, seres e energia; Senti-lo como se cada folha fosse parte de nós, acompanhar a sua dança e pelo vento também ser guiado. Esquecer a vida e nela entrar, com a mesma intensidade e certeza que se tem do existir! Entender, por mais que não se saiba qual, a sua importância no contexto, naquilo que chamamos de universo. Porque estando assim, conectado com o todo, se vê com mais clareza a vida, o valor de cada coisa no funcionamento do nada... E do todo. E nós deixamos de apenas entender o porquê somos irmãos diante de Deus, e passamos a sentir. Somos tomados por uma sensação de paz e verdade... É inexplicável.  A vida toma uma forma e um sentido tão grande, que nos sentimos preenchidos, confiantes, cheios de energia. A vontade que se tem é de abraçar cada árvore, de beijar cada pessoa, de andar e andar até perder o sentido. E, nesse momento, a nossa verdade é tanta, que qualquer temor torna-se insignificante diante das certezas que nos são passadas. Nós nos sentimos protegidos por cada braço, por cada perna, por cada brisa que toca a nossa face. Nos sentimos um TODO, como um organismo que defende e depende de cada órgão, ligado, forte e unido por uma energia que nos faz sentir o que é, realmente, AMAR a vida e tudo o que ela representa...!"

(2006)



Escrito por Alana às 19h25
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Escrito por Alana às 14h07
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O ENCONTRO


"Ah! Se minhas angustias pudessem me ouvir,

Se, ao menos por alguns instantes, elas me dessem valor...

Quão bom seria.
Mas nenhum aprendizado nos vem ao acaso,
Subitamente...

Se assim o fosse, não o chamaríamos de aprendizado,
Nem nos nomearíamos eternos aprendizes.

Ah! Se ao menos eu soubesse o que dizer...
Talvez, assim, elas me dessem valor.

Mas sinto-me pendida dentro do meu próprio eu,
Incorreto, incerto, inconstante,
E nunca tão perfeito Eu.

Ah! Se a minha razão me aceitasse em tão grotescas emoções,
Se, ao menos, eu pudesse moldá-las...

Mas talvez seja este o grande aprendizado:
A conquista da união harmônica entre o ser e o querer ser,
Entre a razão que nos guia,

E a emoção que orgulhosamente nos lacera;

Entre a razão que nos corrompe,
E a emoção que, humildemente, nos intui.

Ah! Se elas resolvessem me dar uma trégua,
Se razão e emoção, enfim, pudessem me ver,
Me aceitar dentro delas,
E eu a elas dentro de mim.
Quão bom seria..."

(Outubro de 2009)



Escrito por Alana às 02h30
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O CAOS EM MEIO A ESPERANÇA

... Enquanto a fábrica não produz nada de novo.


          "É dito que o ser humano tem uma enorme capacidade de adaptação, e eu concordo. O que não é dito é que nós temos a capacidade de escolher ao que se adaptar. Se adequar a atos éticos é favorável, ao caos, não! Nós chegamos a um ponto quando apenas ser roubado é bom! Claro que em relação a isso pouco temos a fazer, mas o que me irrita é a facilidade com a qual aceitamos as coisas, sem, se quer, questionar. As pessoas se adequam a moda, a estética, ao consumismo, a religião, a mídia... Elas se adequam ao sistema sem, ao menos, questioná-lo! As pessoas perderam a capacidade de pensar. Mas, claro, a vida é muito corrida, tempo não há, elas querem sair, conquistar cargos, namorar, comprar roupas, afinal, elas querem ser felizes! E agora eu vos pergunto: concordo, tudo isso é muito bom, mas como conquistar a felicidade sem parar e pensar onde ela está, sem saber o que ela significa para você?! Porque, até onde eu sei, não existem remédios e nem regras para alcançá-la.

          Há um tempo eu venho observando, e eu pude notar o quanto as pessoas estão necessitadas de atenção e carinho, e é por isso que elas buscam tão desesperadamente uma companhia (e aí a efemeridade dos relacionamentos): é um refúgio, um refúgio de si mesmas. Infelizmente, o nada entre as pessoas aumenta a cada dia, e a simples demonstração de amizade e admiração por uma pessoa, já é tida como interesse ou paixão arrebatadora! Realizar atos solidários? Meio caminho andado para ser pontificado, para o alvo da ajuda então, a distância encurta drasticamente. E a culpa, de algo que deveria ser natural se tornar tão admirável, é de quem? Nossa!

           Nós nos tornamos incapazes de sermos nós mesmos, apenas. É claro que ninguém é uma ilha e todos devem se comportar de acordo com o contexto, dignos do título de cidadão, mas a questão é saber onde está o limite entre o meu eu e o que me é imposto. O Futuro deve se adaptar da melhor forma possível às circunstâncias, mas sem perder a espontaneidade. É dito que todos nós somos únicos, racionalmente eu sei disso, mas emocionalmente não é o que eu sinto, ao contrário, acho que nós nunca estivemos tão iguais! É chegado um ponto, quando não mais sabemos se ser racional é tão melhor do que a irracionalidade, a um ponto onde ser tido como louco tornou-se um elogio. Pensem nisso..."

(2005)



Escrito por Alana às 16h35
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GRITO VISUAL

"E sou tomada. Da mente nada me vem se não palavras. Os livros ali estão, quietos, sob a estante, condenados a serem lidos, manuseados... Mas fui tomada. Do lápis, em minha mão, nada registro se não palavras. Os números, abandonados, refugiam-se no recanto do amanhã; as fórmulas, equações, setas e desenhos são vitimados pelas letras. Perdoem-me, é questão de paixão...  E fui tomada!

Uma paixão não pelo símbolo, a priori: assim, secos, nenhuma significância eles têm. Mas juntos em si e unidos a outros, eles são capazes de transpor a razão e revelar-me as nuances deste meu ser. Talvez não me entendas, mas, no processo da escrita, as imagens se chocam, umas vêem e outras teimam em não querer se, me revelar. Elas ficam ali, no limiar entre o ser e o parecer, entre o sentir e o expor...

Nesse movimento constante, forma-se um Todo no Nada revelado. E é esse nada e aquelas que teimam em se alojar em um alfabeto por mim desconhecido, que me tomam e me escravizam eterno aprendiz. O aprendiz de aprender que os pensamentos vêm impregnados de sentimentos e, ao registrá-los, embora não os veja, me sinto, me, te revelo. Porque as palavras vão além da compreensão... Então, sinta-as!"

(Agosto 2007)



Escrito por Alana às 21h35
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