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Entre mim e a medicina: a crise

Este texto não é de minha autoria exclusiva, trata-se, na verdade, de um momento de angústia que resultou em uma brincadeira produtiva. Ele foi resultado de uma conversa inspirada no msn entre mim e um amigo (Agapito Neto). Após algumas adaptações e poucas mudanças, eis o resultado:



   (eu) - Medicina, precisamos ter uma conversa séria! Acho melhor nós nos separarmos por algum tempo... Não é nada contra você, é comigo, entende? Sou eu quem estou em crise... Por favor, não me entenda mal.

(medicina) – Já tens o tempo do almoço e do banho... Darei-te, então, mais uma hora de reflexão e descanso, está bom para você?

(eu) - Acho que você não me entendeu bem. A questão...

(medicina) - Foi você que não me entendeu bem! Como queres ser um bom médico, se pedes tempo a tua profissão? Ainda tens tanto o que estudar...!

       (eu) - Não, medicina, mas é que as vezes a gente cansa, o corpo pede um tempo... Você, como uma sábia conhecedora da saúde humana, deveria saber disso! Afinal, que exemplo de médico queres que eu me forme? Aquele que não se importa com as próprias limitações físicas, não irá ter paciência e respeito aos limites dos seus pacientes!

   (medicina) - Perdeste o direito de ser um homem comum quando me pediste em casamento no vestibular e se casaste comigo na Igreja da Matrícula. E meu lema nunca foi "satisfação garantida ou o seu dinheiro de volta".

(eu) - Não te faças de perversa, porque sei que não és... E não me trates como uma máquina porque sabes que não sou.

(medicina) - Sim, sei... E só quero o bem daqueles que me escolhem, mas és tu, pobre homem, que não conheces as tuas próprias limitações e potencialidades.

(eu) - Talvez eu não saiba mesmo... Mas no casamento é dito: prometes amá-lo e Respeitá-lo agora e para todo o sempre? E, diante do altar recepção, respondestes que sim!

(medicina) - Eu nunca fiz juramento algum! Meu pai Esculápio explicou como seria a vida ao meu lado e, ainda assim, aceitastes o nosso contrato. (http://www.ordemdosmedicos.cv/index.php?option=com_docman&task=doc_view&gid=2)

(eu) - Onde tem naquele contrato que ias me maltratar, me diga, bendita medicina!!

(medicina) - O que entendes por: “Terás de renunciar à tua vida privada. Enquanto que todos os cidadãos quando terminam o seu dia de trabalho não são importunados, a tua porta ficará aberta a todos, a toda a hora do dia e da noite virão perturbar o teu descanso, teus prazeres, ou a tua meditação. Já não terás horas para dedicar à tua família, à amizade ou ao estudo. Já não pertencerás a ti mesmo”?... Você sabia que seria assim. Disseste sim as minhas condições! Tudo tem seu preço, meu caro...

(eu) - Então me digas, medicina, por que te sigo? O que me dais em troca?

   (medicina) - Isso meu caro, és tu quem tens que responder... Mas, como bem sei quem és, antecipo-te: és indiferente à fortuna, aos prazeres, à ingratidão; tens uma alma bastante estóica para se satisfazer com o dever cumprido e sem ilusões; te julgas pago com a felicidade de uma mãe, com lábios que sorriem porque já não sofrem, como a paz de um moribundo a quem conseguiste ocultar a maldita da morte.

(eu) - Oh, dama imortal, tenho medo de assim não ser... É bem verdade que o bem quero aos meus semelhantes, mas muito ainda me deixo levar pelos prazeres mundanos. E anseios outros tenho além de me entregar a ti...

   (medicina) - Ofereço-te, meu jovem, conhecer a mais bela das obras divina, o Homem. E não, não te peço exclusividade: quero, sim, o teu melhor! Exijo-te dedicação plena, amor e obstinação.

(eu) - Não sei se estou pronto... Muito te quero seguir, mas não sei se tenho a força dos obstinados e o amor dos guerreiros...

(medicina) - És filho do deus Apolo, o médico, e discípulo do meu pai, Hipócrates. Não há como negar, nascestes para ser meu! A inquietude faz parte dos que buscam a verdade em suas reflexões e em seus atos e isso é uma dádiva que possuis.  Por isso, peço-te: deixe-nos mostrar o teu caminho.

(eu) - E qual é o meu caminho?

(medicina) - Primeiro, te proponho: façamos as pazes, dedique-se a mim, e em troca te darei a satisfação que anseias.

(eu) - ...Confiarei em ti, então. E grato ficarei em te servir Oh, dama das damas! Juntos, o bem será propagado e a felicidade mutua alcançada... Afinal, quanto vale um sorriso aliviado de uma mãe em sofrimento; quando vale o retorno do brilho do olhar de um doente?...

   (medicina) – Mas tenhamos paciência, pois ainda temos um longo caminho juntos... Somos apenas doces namorados que se conheceram na ACADEMIA. Gradualmente, você se sentirá cada vez mais INTERNO, logo depois irá morar na minha RESIDÊNCIA, ate que por merecimento te darei o meu sobrenome: Doutor.

(eu) - Farei o possível para que exista uma reciprocidade nessa relação: aos poucos, passarás a viver em meu coração, a tomar, cada vez mais, o meu pensamento e tempo, e por fim, a relação será consumada. Estamos prontos?   

(medicina) - Desde que te acolhi tive a certeza de que conseguiríamos viver nossa história plenamente, mas vocês, Homens, sempre se deixam seduzir pela minha irmã inimiga, a Insegurança. Por isso, para nos darmos bem, nunca seja todo ouvidos a minha inimiga, a Insegurança, nem se deixe seduzir totalmente pela minha melhor amiga, a Confiança. Encontre o equilíbrio preciso entre o ser e o querer ser, e torne-se um eterno aprendiz.

(eu) - Eis que eu, um mero mortal, fui vítima da tua maior inimiga... Mas confio em ti, oh grande deusa! Hei de adquirir a medida precisa para te exercer da forma como mereces.

   (medicina) - Pondere essas duas conhecidas, una-se ao Esforço e seremos plenos.

(eu) - Que assim seja.

 

FIM



Escrito por Alana às 13h27
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