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Na quase utopia, uma válida reflexão

 

As pessoas precisam de valores mais sólidos, de uma integração maior entre razão e emoção. Mas eu não venho aqui falar de moralismo e lições de caráter, minha pretensão não é tanta.  Venho, sim, falar da constante necessidade do homem pelo novo e do contraditório medo de um novo desconhecido. E nesse dilema, pairamos entre os extremos de uma inquietude constante e de uma inquieta inércia.

A verdade é que o homem precisa Sempre se sentir vivo. Novos cheiros, sabores, experiências, convivências, Novos! Sentidos... Novos! Amigos... Novos! Amores... Assim, a vida me parece tão intensa, plena, tão... Vida! E, então, nós descobrimos novos bons, boas novidades e passamos a ser todo pensamento, gestos, ouvidos, ações, sentidos ao que nos faz novamente vibrar.

Mas ninguém pode viver sempre nos extremos, tais quais adolescentes sedentos de emoção e intensidade; a vida nos pulsa o equilíbrio. Pobre daqueles, pobre de nós que não sabemos lidar com a quietude dos dias: com o passar do tempo, a novidade, aquela que nos fazia vibrar, c o m e ç a  a  t o r na r – s e   c o m u m. “Ah, como é sem graça o comum, o habitual, como é sem vida a vida!” Os bares se enchem de pessoas urgentes não de bebida, mas de afeto, sentido, preenchimento de um vazio que teima em não se calar. E as boates me fazem pulsar novamente o coração e gritam dentro de mim a vida que em mim eu não mais acho. Ahhh!! Como eu queria gritar e colocar para fora toda essa inquietude que me toma o peito...! Por que, se eu não mais quero essa não-mais-novidade, simplesmente não a modifico, inovo? Por que quero tanto e tanto tenho medo do novo?

E, então, quando não mais aquentar a inquietante mesmice, o medo do novo se fará vencido, e o desequilíbrio sairá em uma busca insana por uma novidade que o faça novamente fingir o equilíbrio ter alcançado. Mas a vida, relutante, mirará a verdadeira tranqüilidade, e o ciclo, incessantemente se repete. Talvez o homem precise de valores mais sólidos.

Eu não venho aqui fazer apologia a mesmice ou negar a importância do novo. Logo eu, uma aquariana convicta, que vive a tangenciar a hiperatividade! Seria um contracenso. Venho, pois, questionar o momento quando a impulsão pelo sentir nos faz escravos e entorpece o valor do que é verdadeiramente válido. Nós valorizamos mais a paixão ao amor, temos maior pseudo-consideração ao que mais nos empolga do que àquele ou aquilo que mais merece nossa consideração; vivemos buscando satisfações momentâneas e falsas, somos hipócritas ao ponto de camuflarmos um sentimento pelo medo de mudar. Obviamente, somos seres sociáveis e precisamos de certa falsidade, inclusive com nós mesmos, para bem convivermos. Mas, principalmente para isso, existem limites.

Penso que necessitamos de mais empatia, do dicionário “forma de identificação intelectual ou afetiva de um sujeito com uma pessoa, uma idéia ou uma coisa”, em outras palavras “se colocar no lugar do outro ou de algo”. Só assim, passaremos a amar pessoas e não conveniências, aprenderemos a ter consideração de fato, a amar idéias, verdades, e não circunstâncias favoráveis; aprenderemos a preencher vazios não através de ilusões, de vidas externas que momentaneamente fingirmos ser a nossa, mas pelo encontro de nós por nós mesmos, da introspecção de uma vida que a nós, e só a nós pertence. É quando não mais ficaremos perdidos em uma busca insana e inútil, e aprenderemos a valorizar e a gostar do comum, do constante: nele encontramos a estável base para um contínuo inovar de nossas vidas.

(Dezembro de 2010)


ÓTIMO 2011!!!!!!!!!!!! Jóia



Escrito por Alana às 01h04
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